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Doar sangue é aquecer o coração

Poder servir, consciente de que um pequeno gesto beneficiará o semelhante, contribuindo para sua recuperação e realimentando a esperança, é algo que reabastece o coração. A doação de sangue é um gesto solidário e de amor que vai muito além disso, pois, além de beneficiar o outro, proporciona ao doador a sensação de paz interior. Se quem recebeu o sangue manifesta gratidão pelo gesto de um desconhecido, penso que para o doador fica o privilégio de poder ser útil ao próximo. É assim que me sinto a cada oportunidade de ser útil, justificando o motivo de aqui estar. Seguindo aquela máxima de “fazer o bem, sem olhar a quem”. De forma espontânea e tendo em mente apenas o intuito de reservar um espaço de tempo no burburinho da vida para se dedicar a uma causa nobre.

Comecei doando sangue atendendo a um pedido da família de um rapaz que buscou saída para seus problemas via suicídio. Sobreviveu. Somente voltei a doar anos mais tarde, depois que o hospital onde minha irmã estava internada solicitou que membros da família e amigos colaborassem com a doação para ajudar na reposição de estoques. Desde que minha irmã partiu, passei a doar regularmente, até que, algum tempo depois, tomei conhecimento acerca da doação de plaquetas.

Inscrevi-me como doador de medula, mas minha idade já venceu o prazo, sem que tenha sido chamado uma única vez. Uma pena! Há tempos faço doação de plaquetas, que é uma outra forma de realizar algo de bom para o próximo. Sinto a mesma felicidade pela graça de servir e penso que não é o Outro que deve nos agradecer.

Na doação de plaquetas, que é um processo mais demorado do que a “simples” doação de sangue, o doador é colocado ao lado de uma maquininha fantástica que retira o sangue com as plaquetas, faz a separação, fica com as plaquetas e devolve o sangue ao corpo da pessoa. Nada do outro mundo, como muitas pessoas pensam.

Muitas delas, assustadas, pela falta de informação e dificuldade de compreensão, não entendem o processo, mesmo após algumas tentativas de explicação. Várias delas temem a contaminação, o que não se justifica.

O tempo que passo me dedicando a este “privilégio” é recompensado com a satisfação em saber que, ainda que de forma diminuta, posso contribuir para alguém que tanto necessita, seja do sangue ou da plaqueta. Um pequeno gesto que pode ajudar na recuperação do semelhante que sofre. Pequeno gesto que acalma os sobressaltos da alma e aquece o coração.

Geraldo Muanis – Jornalista.

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